calidoscópio

Sábado, Março 12, 2005




Qualquer desatenção, faça não, pode ser a gota d'agua


Falo hoje de um livro que li e gostei muito: Gota D'Agua
escrito por Chico Buarque e Paulo Pontes.

Gota D'Agua foi apresentada, originalmente, como peça de teatro na década de 70 tendo alcançado grande sucesso. Para os leitores mais novos, resta-nos a chance de ler o roteiro publicado em forma de livro. A construção dos diálogos segue a linha poética, lembrando um grande poema onde cada linha é um verso, alguns até obecendo a estrutura de rimas.

A história é uma crítica social, que não mudou muito de lá pra cá... de como o pobre trabalha, trabalha e não consegue honrar os compromissos pois os juros sobrepõem-se engendrando uma dívida impagável.

Um trecho interessante que achei no livro foi esse poema que intertextualiza com o poema Quadrilha de Carlos Drummond

Carlos amava Dora que amava Léa que amava
Lia que
amava paulo que amava Juca que amava Dora
que amava...
Carlos amava Dora que amava Rita que amava
Dito que
amava Rita que amava Dito que amava Rita
que amava...
Carlos amava Dora que amava tanto que
amava Pedro que
amava a filha que amava Carlos que amava
Dora que
amava toda a quadrilha....
amava toda a quadrilha....
amava toda a quadrilha....


Gota D'agua é uma boa leitura para um fim de semana, um feriado, a história não é consativa e diverte.



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Sábado, Março 05, 2005




O tempo passa... e somos nós que ficamos velhos

Haverá tempo suficiente para fazer tudo?
quê pensamos?
Ler os livros que planejamos?
Escutar as músicas que sonhamos?
Para paixões desvairadas?

Haverá tempo para conjugar o eu-tu-ele-nós-vós-eles?
E lágrimas suficientes para o mundo?
"O tempo é escravo da vida" - sonetou o Dramaturgo.
E nós, temporais, mortais...
Resta-nos a indiferença do mundo C-A-P-I-T-A-L
Talvez só assim iremos nos redimir...
Encontrar a rosa de nós-mesmos.



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