calidoscópio

Sábado, Fevereiro 26, 2005




Quem irá nos redimir?


Assisti essa semana um documentário da rede STV sobre mulheres negras que descolorem a pele para parecerem mais brancas, a reportagem mostrava os produtos usados, misturas sem prescrição média e com efeitos colaterais. Um dos cinco dermatologistas de Dakar (Senegal) diz que as mulheres só procuram ajuda quando já tentaram de tudo para controlar as consequências....
Foi vendo isso que vi que o apartheid continua, as mulheres entrevistadas dizem que fazem a despigmentação para ascenderem socialmente, naquela região - disse uma jovem - a pessoa com pele branca se destaca.
O belo deixou de ser ideal e tornou-se um produto, imposto, comprado, uma máquina que seleciona os mais capazes e faz sofrer aqueles que não se adequam.
Então, para se adequar a um sistema, essas mulheres negras, lindas, deslumbrantes, impõem uma estética destrutiva.


Comentários:

Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005




Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir!


O homem migra - acima de tudo - por uma questão vital. O sertaneijo que não tem água para beber, nem água pro gado, etc. Sai da região para não morrer. Então é interessante pensar no investimento dos recursos captados pelo governo do país, pois se o dinheiro arrecadado for concentrado em uma única região, é lógico que haverá uma migração concentrada.
O PIB (Produto Interno Bruto) publicado pelas agências econômicas como termômetro do desenvolvimento é uma estatítica duvidosa, pois existem bolsões extremamente ricos produzindo muito, exportando, etc; convivendo com os misériáveis.
É concentrando os investimentos que alarga-se a diferença entre o Brasil que exporta e o Brasil que chora-para-o-ganha-pão.
Eu escrevendo sobre uma miséria sem fim, pareço cair na mesmice, mas esse assunto tangenciado pelos meios de comunicação precisa ser encarado de frente, não há tempo para demagogias... Enquando reclamo nesse blog há a angústia no mundo.

Sem mais!


Comentários:

Terça-feira, Fevereiro 22, 2005




A felicidade é uma idéia velha.


Hoje, abrindo um adendo aos post's de cunho político-filosófico-etc, quero compartilhar um momento muito FELIZ para mim, transpus o vestibular para cursar engenharia de computação... Depois de derrotas anteriores e amargurar em uma fila de espera, enfim aconteceu! Agradeço a todos aqueles que rezaram por mim e desejaram uma boa sorte.
Como religioso eu quero fazer uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida pela interceção ao Padre Eterno no momento da angústia.

Poderia escolher um poema para brindar minha alegria, mas a própria felicidade engendra poesia.

Um cordial abraço a todos!


Comentários:




Ouvi essa conversa já faz algum tempo, estou repassando o que restou na minha memória... é um assunto a se pensar, gostaria de opiniões.

Conhecer é muitas vezes desacreditar


Quando erámos ___________, ainda perceptíveis ao mundo... colecionávamos vários personagens como modelos a ser-seguido, eram esses desenhos, músicos, atores, escritores, etc. Mas com o passar do tempo, os que foram conhecendo melhor esses "ídolos" passaram a vê-los cada vez mais como nós mesmos, humanos. É aí que toda essa crença contradiz-se e passamos a adotar um postura cética. Esse fenômeno acontece quando conhecemos algo sem profundidade, por exemplo a filosofia, que nos faz pensar, refletir; mas quando estudam-se todas as teorias fica um vazio, a filosofia-em-vão, ou seja, aquela que não serve para nada.


Comentários:

Sábado, Fevereiro 19, 2005




Diálogo para mostrar algo


Promotor: Então tu fostes acusado de andar acima da velocidade permitida?
Réu: Eu tenho motivos para...
Juiz: Responda apenas a pergunta do promotor.
Réu: Certo.
Juiz: Responda!
Réu: Já respondi, disse fui acusado.
Juiz: Ordem!
Promotor: No dia 14 de março, a rodovia D. Pedro estava com o fluxo de carros abaixo do normal, o registro da polícia rodoviária mostrava que não havia problemas, foi então que as 10h05 o radar da polícia detectou um carro a 150 km/h, carro este, pertencente ao Réu agora aqui presente.
Réu: Mas...

O juiz batendo o martelo

Juiz: Ordem no tribunal! Mais uma tentativa de falar antes da hora e encerro esse caso. Promotor prossiga.
Promotor: Uma carta foi enviada a residência do Réu, que recorreu da multa e hoje apresenta-se para fazer sua defesa.
Juiz: O Réu pode começar com sua defesa.
Réu: Então, como já ia dizendo, estava indo ajudar um amigo que estava prestes a suicidar-se.
Juiz: Mandem chamar o Amigo.

O Amigo - homem apresentando sinais de pouca lucidez - entra na sala e senta-se ao lado do Réu.

Juiz: Por que o senhor estava prestes a suicidar-se no dia 14 de março?
Amigo: Estava desiludido da vida, não consegui realizar meu sonho de me tornar diretor de cinema.
Juiz: Explique-se melhor.
Amigo: Desde cedo começei fazendo pequenos trabalhos, já na faculdade, filmes amadores, nos finais de semana, com uma câmera... eu e meus amigos saíamos para filmar e estes filmes faziam certo sucesso no meio acadêmico. Até aí as coisas estavam bem, mas com o passar o tempo as coisas foram rareando, hoje eu não consigo arrumar um emprego para dirigir um filme, já mandei meus roteiros para diversas produtoras e nada. Por isso resolvi por fim a minha existência.
Juiz: E o Réu te ajudou a desistir da idéia?
Amigo: Não.

O Réu muda de fisionomia, salta da cadeira e começa a falar.

Réu: Senhor Meretíssimo, ele está cansado da viajem, não esta preparado para falar. Peço uma pausa.
Juiz: Silêncio, petição negada. O Réu não tem mais direito a falar, como eu havia dito, o senhor está preso por interromper o depoimento.
Réu: Mas, mas...
Juiz: Guardas, tirem-no daqui.


* * *


Em cada palavra uma cena, em cada frase um contexto, é assim que a história acontece, é claro que a transcrição acima foge ao padrões normais. Um juiz não prenderia o réu somente por essa tentativa de falar e sim pediria para o Amigo continuar com o depoimento, que com o desenrolar da argumentação poderia tornar-se favorável ao Réu. Mas a idéia não foi fazer um texto nos moldes pré-concebidos, e sim fazer um personagem que cumprisse cada palavra do que dissesse (Juiz) , principalmente aquelas que fossem na conversa coloquial tida como um simples ato de advertência, sem maiores consequências.


Comentários:

Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005




Retirei esses excertos do livro: Liçoes de Texto: leitura e redação (Platão e Fiorin)

FRAGMENTOS


Os estados de alma (as paixões) das personagens, paralelos às transformações que vão se sucedendo ao longo do texto narrativo, também vão se alterando: agravam-se, atenuam-se, negam-se, delocam-se....

A linguagem serve para comunicar. Mas comunicar, para os humanos, não é somente transmitir informações. Frequentemente, fala-se para não dizer nada, ou diz-se o contrário do que se quer realmente dizer, ou ainda o que o interlocutor já sabe. Marina Yaguello (linguista francesa)

Todo texto é produto de uma criação coletiva: a voz do seu produtor se manifesta ao lado de um coro de outras vozes que já trataram do mesmo tema e com as quais se põe em acordo ou desacordo.


Comentários:

Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005




Etiqueta


Desambientado, cheguei a festa quieto, só observando. Conhecia apenas Domenico, o anfitrião, então, aproximei-me do grupo em que ele estava conversando, peguei a conversa no meio:

- E aí Alfredo? Tá namorando né, quando que você a conheçeu?
- Então, foi no último acampamento da igreja.
- Que legal, porque ela não veio hoje?
- Ela tá trabalhando e também, ela não mora aqui.
- Já ta pensando em casamento?
- É difícil falar, a gente tá encaminhando...

Entrei na conversa.

- Casamento é um passo muito sério, tem seus prós e contras, é uma renuncia dos dois lados.
- É, mais o importante é formar uma família, assim como nosso pais fizeram. - retorquiu Alfredo.

Nesse instante Domenico é chamando, restam apenas Alfredo e eu conversando.

- De onde você conhece o Domenico - perguntou Alfredo
- Eu era seu colega na cidade, mesmo quando ele se mudou, nos tornamos bons amigos e mantemos contato.

Silêncio. Princípo de constrangimento. Tentativa desesperada de falar algo. Finalmente Alfredo toma a palavra:

- Você já viu as fotos do acampamento?
- Vi algumas quando cheguei...

Nesse instante, numa outra roda de pessoas Alfredo vê o álbum, toma emprestando e começa a me mostrar as fotos.

- Vou te mostrar como o lugar lá é bonito, esse é o lugar aonde ficam as quadras.


Começei com os sinônimos dos adjetivos...


- Bonito, é um sítio bem legal.
- Pois é, tem várias atividades, cada tem um baile abordando uma temática diferente.
- Interessante, e vocês ficam os três dias do carnaval?
- É, vai sábado e volta terça.
- Sei.
- E sabe quanto ficou?
- Quanto?
- Cem reais para os quatro dias, com alimentação e tudo, e são jovens com o mesmo princípio, buscando a mesma coisa...
- Que bom.
- Você tá convidado a ir na próxima vez que a gente for.


A etiqueta salva a sociedade! Me salvou nessa hora.
Penso na retórica como uma maneira de escapar sem dizer não.


- Agradeço o convite, se puder ir, eu falo com o Domenico.
- Vai sim, você vai gostar.

A conjução condicional salvou o momento. Desvencilhei-me:

- Com licença, já volto.

Saí. Reparei que todos na festa eram de religião diferente da minha, até aí tudo bem, mas o que me pertubava eram esses convites para visitar a igreja. Nessas horas eu escapava usando a retórica, fingindo, fazer o quê? A sinceridade nessas horas não compensa.

* * *


Você que já esteve nessa cena me diga onde está o respeito pela fé alheia. Eu estava lá também, estava presente, divertindo, conversando, em nenhum momento pensei em convidar para visitar a minha religião.




Comentários:

Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005





"A propósito da diferença ente texto não-literário e texto literário, o poeta e ensaísta Paul Valéry diz que, num texto não-literário, quando se resume, apreende-se o essencial; no literário, quando se resume; perde-se o essencial."


Comentários:




I


Na tentativa desesperada de (des)entender o Ser-humano deparo-me com a Música. Esse singelo emaranhado de notas cria uma linguagem que extrapola os limites do ser. É o que nos diferencia dos animais irracionais, a síntese da razão e a emoção.
Gaita, Piano, Guitarra, Violão, Violinio, Arcordeão... a SINFONIA expressam o sentimento do mundo. Nações transmitem sua cultura nas melodias, aquelas canções que todo mundo canta mas não sabe de quem é.
Jazz, Blues, Rock, Heavy Metal, Clássico, Samba, etc; música não se compara mas aprecia-se.

II

Nas músicas atuais, são raros os músicos que tocam com feeling*, a intenção capitalista é mecanizar tudo, a música como pacote sem conteúdo, como signo sem significado.

III

Para os músicos (trabalhando no Brasil):
O guitarrista Faíska disse num workshop aqui em São José dos Campos sobre os gostos musicais, como músico é preciso estar preparado para tocar qualquer estílo e não apenas aquele que mais lhe agrada, criando assim amigos e contatos para trabalhos.

IV

No Brasil, grande parte das músicas que fazem sucesso são de talentos duvidosos, as letras são de conteúdo fraco, será culpa do ouvinte que não exige ou imposição das grandes gravadoras?


*tocar com feeling: tocar com emoção, fazer o instrumento interagir com você.


Comentários:

Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005




A universalização dos valores.


Até quando seremos provocados por tudo que vemos e sentimos? - jovens com acesso ao capitalismo se perdendo nesse mundo de consumismo, e os pobres descapitalizados deixados à margem da sociedade.
A televisão não veio para a acrescentar e sim para tornar o estandarte de muitas pessoas.
As emissoras investem pesado na criação de uma programação aculturada que passa despercebido pelo público maior, existem é claro exceções na programação, vide certos trabalhos que a TV Cultura produz em parceria com universidades estaduais, federais, etc; tais como: "Balanço de Século XX - Paradigmas do séc. XXI", programas de produtores excelentes: "Provocações", "Ensaios", e documentários "Grandes Mestres (Literatura, Arte, Cinema)", "Projeto Brasil", entre outros. Quem pode pagar pela tv-por-assinatura, escapa um pouco da programação homogeneizante da tv aberta, mas o ganho em qualidade não é tão significativo, há muitos canais com excesso de merchandising, é preciso ser um fuçador para garimpar a boa programação.
Saindo da mídia visual entramos num nicho mais restrito, a escrita, que cresceu muito na última década com a explosão do acesso a Internet para as "massas". Hoje é possível encontrar textos de ótima qualidade, uma grande ferramenta de pesquisa é o site www.google.com. A respeito da mídia escrita impressa, é muito difícil encontrar jovens que gostem de ler, e os que gostam, aqueles que apreciam literatura, filosofia... é claro que existem pessoas engajadas mas não com força suficiente para criar uma expressão.
O que aconteceu nessa última geração foi a universalização dos valores, os pensamentos convergindo para o mesmo ponto, a não-dialética, tempo de um lirismo comedido, a humanidade vista como civilização está desestruturando os protagonistas de sua auto-reconstrução (os jovens). Será o sonho da sociedade alternativa deixado para a próxima geração?


Comentários:

Terça-feira, Fevereiro 08, 2005




Reprimenda-se!*


Durante a ditadura militar no Brasil, interventores eram nomeados para classificar o material dito subversivo, para isso os meios de comunicação: emissoras, editoras, etc - passavam pelo crivo do censor que autorizava ou não, a exibição dos trabalhos. Os artistas dessa época que conseguiam transpor essa barreira contavam com muita criatividade, faziam uso de metáforas, inferências... enfim, pensavam uma maneira de falar sem dizer.
Hoje, quarenta anos passaram-se desde o golpe de 64, lutamos pela concretização de uma democracia, conseguimos fazer os meios de comunicação publicarem suas matérias sem as restrições (atualmente, talvez a do capitalismo...), todavia o papel do censor cabe a você: leitor, com o controle-remoto da mão não há talento que possa barrar o seu direiro de escolha. Não caíamos na mediocridade do conhecimento!


*Um aparte para explicar o título desse post: reprimenda-se é uma tentativa de criar um neologismo, a interpretação seria: censure-se, fiscalize-se...



Comentários:

Sábado, Fevereiro 05, 2005




Que sei eu?


Os senhores já foram a festas? Certo. E lá encontraram pessoas antes nunca vistas, um amigo de um amigo, a tia que veio visitar...correto? Correto. E nessas, a conversa vai, a conversa vem, uma hora é inevitável - surgem as três grandes pérolas: política, religião e futebol.
Um chega e diz: "- Eu acho que o Lula ......!" (aí que mora o perigo, numa hora dessas o melhor a fazer é não achar nada, o silêncio nessas horas é uma virtude), mas não! outro atento, chega sem perguntar: "-E então? Viram a medida provisória que..." - as opiniões vão e vem, voltam ao mesmo lugar. Na minha opinião, o assunto mais inapropriado é religião, quando surge um assunto desse porte, afasto-me sem responder.
Quando forem a festas, divirtam-se, conversem assuntos do dia-a-dia, não venham com achismos - o achismo é uma merda, falem do seu trabalho, do último livro que leram... esqueçam essa filosofia-em-vão, quando quiserem discutir política, religão, futebol não discutam, estudem primeiro!


Comentários:

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005




Brumas


Vivemos em uma sociedade sombria. Ter êxito, eis o ensinamento destilado gota a gota pela corrupção que avança. O que é simplesmente dourado passa por ouro puro. Eles (a sociedade) confudem com as constelações do espaço as estrelas que os pés dos patos deixam impressas no lodaçal.


Comentários:

Terça-feira, Fevereiro 01, 2005




O atual rei da França é careca


A linguagem é um sistema de signos e significados, nós projetamos nomes sobre objetos, é assim que a comunicação é estabelecida, entretando o mais fascinante é que a frase que vocês estão lendo nunca foi escrita antes ou lida por vocês, mas mesmo assim é possível entendê-la.
Nesse exemplo: O atual rei da França é careca todos nós sabemos que a França não tem rei, mas todo mundo entende a preposição, esse exemplo usado a priori por Bertrand Russell, no qual nos diz que o entendimento só vem graças o artigo O, que confere uma unicidade a sentença.


Comentários: